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Sobre tubulações embutidas e uma recomendação no YouTube

Acredito que todo engenheiro ao passar por uma obra não resista a dar uma olhada mais de perto, e passando por algumas obras aqui vi que muitas cometem um erro que infelizmente se tornou bem comum, canalizações embutidas de forma errada na estrutura.
Sobre furos verticais em vigas que é o mais comum, recomendo esse ótimo vídeo do Engenheiro Silvio Andrade, a propósito é um ótimo canal com muitas dicas. Recomendo.

Já sobre furos longitudinais, como uma tubulação descendo em um pilar, de acordo com o item 13.2.6 Canalizações embutidas da norma NBR 6118-2014 elas devem obedecer as seguintes regras:

Consideram-se canalizações embutidas as que resultem em aberturas segundo o eixo longitudinal de um elemento linear, contidas em um elemento de superfície ou imersas no interior de um elemento de volume.
Os elementos estruturais não podem conter canalizações embutidas nos seguintes casos:

a) canalizações sem isolamento adequado, quando destinadas à passagem de fluidos com temperatura que se afaste em mais de 15 °C da temperatura ambiente, a menos que seja realizada uma verificação específica do efeito da temperatura;
b) canalizações destinadas a suportar pressões internas maiores que 0,3 MPa;
c) canalizações embutidas em pilares de concreto, quer imersas no material ou em espaços vazios internos ao elemento estrutural, sem a existência de aberturas para drenagem.

E tirando uma resposta do site da Pini na seção IPT responde para uma dúvida sobre o mesmo tema:

“Do ponto de vista de resistência e estabilidade do pilar, não há problemas na concretagem de pilares com o tubo de PVC no centro, desde que respeitados os limites acima referidos.
Entretanto, devem ser levados em conta os aspectos de durabilidade e manutenção. Há sempre a possibilidade, ao longo da vida útil da obra, de ocorrência de infiltrações de água no interior do pilar (quer através do ralo, quer por fissuras no tubo de PVC ou mesmo por refluxo de água em casos de entupimento), que podem induzir ou acelerar o processo de corrosão das armaduras.
A ocorrência de oxidação das armaduras no interior do pilar é de difícil diagnóstico, e pode progredir até comprometer seriamente a segurança estrutural. Por isso, deve-se dar atenção especial à manutenção da tubulação ao longo de toda a vida útil da obra, de forma a garantir perfeitas condições de funcionamento e impermeabilização da tubulação.”

Eu particularmente evito projetar tubulações embutidas em pilares, afinal não preciso ir longe para encontrar um pilar com problemas causados por uma tubulação pluvial. Mas infelizmente há muita divulgação de más práticas, principalmente no YouTube onde é possível encontrar até um vídeo ensinando a embutir uma tubulação de água fria com um T dentro de um pilar, o que com certeza irá trazer diversos problemas no futuro.

*Atualizando, participei de uma discussão sobre esse tema esses dias em um grupo e achei bastante interessante a opinião de um engenheiro que trabalhou durante anos com manutenção de agências bancárias que eram todas construídas com tubulações embutidas nos pilares e ele foi categórico em afirmar que um dos principais trabalhos que tinha era corrigir problemas causados por essas tubulações.

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